quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Documentário “Negro Lá, Negro Cá”

Documentário cearense sobre racismo é selecionado para festival de cinema em Portugal

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Andy Monroy, um dos entrevistados para o documentário. Foto: Divulgação

O documentário “Negro Lá, Negro Cá”, do jovem cineasta Eduardo Cunha, não foi só um Trabalho de Conclusão de Curso: Sergipe, Rio de Janeiro e até Portugal tiveram ou terão a exibição do filme em três festivais importantes do gênero. O trabalho traz reflexões do racismo sofrido por imigrantes africanos residentes em Fortaleza, no Ceará.

Em entrevista concedida para o portal da Rádio Verdes Mares, Eduardo conta que a ideia veio por meio de conversas com um amigo de Cabo Verde, Andy Monroy. “A gente sempre conversou sobre o racismo e outras questões referentes à adaptação dele e de outros estudantes aqui em Fortaleza”, explica.

O filme foi selecionado para três festivais até agora. O primeiro foi para o XV Encontros de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal. O filme foi exibido em maio deste ano. Em seguida, foi selecionado para o 5º SERCINE – Festival Sergipe de Audiovisual e será exibido em outubro de 2015. O mais recente foi o Visões Periféricas, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro. Além desses festivais, Eduardo pretende receber novas seleções de outros eventos de cinema nos quais inscreveu o documentário.

Confira o teaser de “Negro Lá, Negro Cá”:

Inicialmente, Eduardo, que é recém-formado em Publicidade e Propaganda pela Unifor, quis acompanhar o cotidiano de alguns imigrantes e fotografá-los, mas “por sugestão do meu professor Wilton Martins, que é fotógrafo e sociólogo, resolvi fazer um documentário. Tratar do racismo num produto audiovisual traria mais possibilidades de fazer as pessoas se questionarem sobre o assunto”, enfatiza.

No documentário, são entrevistados os africanos Andy Monroy (Cabo Verde), Alfa Umaro Bari (Guiné-Bissau), Cornelius Ezeokeke (Nigéria) e Manuel Casqueiro (Guiné-Bissau). “A história de vida de cada um é muito rica e isso se reflete na fala deles. O filme busca trazer inquietação em quem assiste e tenho percebido que o ‘Negro Lá, Negro Cá’ tem cumprido esse papel”, revela Eduardo, entusiasmado.

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O diretor Eduardo Cunha. Foto: Thaís Mesquita

Para ele, a repercussão do filme pode fazer com que as pessoas se aproximem do problema que é o racismo e do quanto isso pode ser agressivo. “Gosto de fazer a comparação do filme com uma cadeira, ou um objeto qualquer, em chamas. De longe, podemos nos dar conta de que aquele fogo pode ser prejudicial para nós, fisicamente. Algumas pessoas podem não perceber e precisar chegar mais perto para sentir o calor do fogo e, a partir daí, entender o risco que ele pode representar. Outras pessoas, mesmo estando perto, podem não se dar conta e só perceberem a agressividade do fogo quando se queimarem. Aí elas estarão tendo a experiência mais intensa possível”.

Eduardo Cunha faz parte do 202b, uma equipe cearense dedicada a desenvolver um trabalho que transita em linguagens como vídeo, fotografia, pintura e desenho.

Por: verdinha às 17:34 de 07/08/2015 – Verdes Mares

Documentário “Negro Lá, Negro Cá”

Documentário cearense sobre racismo é selecionado para festival de cinema em Portugal

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Andy Monroy, um dos entrevistados para o documentário. Foto: Divulgação

O documentário “Negro Lá, Negro Cá”, do jovem cineasta Eduardo Cunha, não foi só um Trabalho de Conclusão de Curso: Sergipe, Rio de Janeiro e até Portugal tiveram ou terão a exibição do filme em três festivais importantes do gênero. O trabalho traz reflexões do racismo sofrido por imigrantes africanos residentes em Fortaleza, no Ceará.

Em entrevista concedida para o portal da Rádio Verdes Mares, Eduardo conta que a ideia veio por meio de conversas com um amigo de Cabo Verde, Andy Monroy. “A gente sempre conversou sobre o racismo e outras questões referentes à adaptação dele e de outros estudantes aqui em Fortaleza”, explica.

O filme foi selecionado para três festivais até agora. O primeiro foi para o XV Encontros de Cinema de Viana do Castelo, em Portugal. O filme foi exibido em maio deste ano. Em seguida, foi selecionado para o 5º SERCINE – Festival Sergipe de Audiovisual e será exibido em outubro de 2015. O mais recente foi o Visões Periféricas, que acontece em agosto, no Rio de Janeiro. Além desses festivais, Eduardo pretende receber novas seleções de outros eventos de cinema nos quais inscreveu o documentário.

Confira o teaser de “Negro Lá, Negro Cá”:

Inicialmente, Eduardo, que é recém-formado em Publicidade e Propaganda pela Unifor, quis acompanhar o cotidiano de alguns imigrantes e fotografá-los, mas “por sugestão do meu professor Wilton Martins, que é fotógrafo e sociólogo, resolvi fazer um documentário. Tratar do racismo num produto audiovisual traria mais possibilidades de fazer as pessoas se questionarem sobre o assunto”, enfatiza.

No documentário, são entrevistados os africanos Andy Monroy (Cabo Verde), Alfa Umaro Bari (Guiné-Bissau), Cornelius Ezeokeke (Nigéria) e Manuel Casqueiro (Guiné-Bissau). “A história de vida de cada um é muito rica e isso se reflete na fala deles. O filme busca trazer inquietação em quem assiste e tenho percebido que o ‘Negro Lá, Negro Cá’ tem cumprido esse papel”, revela Eduardo, entusiasmado.

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O diretor Eduardo Cunha. Foto: Thaís Mesquita

Para ele, a repercussão do filme pode fazer com que as pessoas se aproximem do problema que é o racismo e do quanto isso pode ser agressivo. “Gosto de fazer a comparação do filme com uma cadeira, ou um objeto qualquer, em chamas. De longe, podemos nos dar conta de que aquele fogo pode ser prejudicial para nós, fisicamente. Algumas pessoas podem não perceber e precisar chegar mais perto para sentir o calor do fogo e, a partir daí, entender o risco que ele pode representar. Outras pessoas, mesmo estando perto, podem não se dar conta e só perceberem a agressividade do fogo quando se queimarem. Aí elas estarão tendo a experiência mais intensa possível”.

Eduardo Cunha faz parte do 202b, uma equipe cearense dedicada a desenvolver um trabalho que transita em linguagens como vídeo, fotografia, pintura e desenho.

Por: verdinha às 17:34 de 07/08/2015 – Verdes Mares

sábado, 5 de dezembro de 2015

Primeira vez que vi Marília Pera

Histórias do Teatro Casarão

Hoje logo dia 05 de dezembro de 2015, acordo com a televisão anunciando a morte da atriz Marilia Pera. Como uma velha escrivaninha de várias gavetas, que você encontra velhos papéis esquecidos, lembrei da primeira vez que vi Marília Pera.

Marilia Roda Viva 2

Marília Pera na peça Roda Viva de Chico Buarque, dirigida por Zé Celso, no coro fazia parte Zezé Motta – na sala Galpão do Teatro Ruth Escobar atacado pelo CCC em julho de 1968

Garoto vindo do interior, São Paulo era um mundo que enchia os olhos em 1968, para quem vinha de pequenas cidades. Cheguei em São Paulo nos fins de 1963, comecei a trabalhar no início de 1964, nas Lojas de Departamentos, logo estouraria a Revolução Militar em abril de 64.

Órfão de pais, vivia a grande luta de trabalhar e estudar à noite. Aos poucos fui me acostumando à cidade grande, tomando contato com a realidade. O que eu imaginava que seria uma abertura, viver numa cidade grande, tornava-se com a Ditadura Militar um cerco, uma corda que ia asfixiando cada vez mais, tudo e todos.

Em 1968 sofri uma crise na coluna cervical que me deu um afastamento do serviço. Foi quando conheci o Grupo Teatral Casarão misto amador com profissional, um centro cultural no Avenida Brigadeiro próximo à Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Com tempo ocioso, entre as sessões de terapias. Andava e vagava pelo Centro da cidade, o Teatro Casarão foi uma abertura que mudou minha vida.

Dentre o Grupo, um amigo foi o tutor desses novos caminhos. Waldemar Sillas um dos fundadores tornou-se companheiro e mentor. Na época além de ator, já era autor e diretor. Eu tinha uns vinte e poucos, erámos quase da mesma idade. Ele morava em Santana, lá nos lados onde minha irmã morava. Trocávamos confidências, sonhos, projetos, nossas namoradas eram amigas. Domingo sempre havia uma comida da sua mãe nos esperando. Erámos quase uma família...

Um dia creio que em agosto de 1968, Waldemar falou: - “Uns amigos estão precisando de ajuda, você pode ir comigo? ”. Minha resposta foi de imediato: - “Vamos! ”. Os atores da peça “Roda Viva”, de Chico Buarque, com direção de Zé Celso Martinez Corrêa, no teatro Ruth Escobar, em São Paulo, haviam sido agredidos durante a peça.

Sala Galpão

Mais ou menos vinte homens encapuçados do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) haviam invadido e destruído a Sala Galpão do Teatro Ruth Escobar no final da peça.

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Camarim da Sala Galpão do Teatro Ruth Escobar (foto publicada na Folha de S.Paulo no dia 19 de julho de 1968)

Em 18 de julho de 1968, após mais uma noite de apresentação em São Paulo na sala O Galpão, cerca de vinte homens encapuzados, armados de cassetetes e soco inglês sob as luvas, do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), se dividiram para quebrar o cenário e partes do espaço físico, e invadir os camarins, espancando os atores e produção, rasgando roupas dos figurinos. Transformou-se numa resistência cultural contra a Ditadura.

Coro de Roda Viva Zezé 

Coro do Musical Roda Viva onde fazia parte Zezé Motta

  O musical Roda Viva causava polêmicas contava as péssimas condições sociais, políticas e financeiras da sociedade da época e do início das redes de televisão. Os personagens que representavam o povo, não possuíam quaisquer direitos de liberdade e são frágeis diante da influência da televisão.

 

Comprovada a evidente intenção de criticar a situação política, social e econômica da época, o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) organizou uma agressão contra os artistas, sob alegação de que precisavam ser repreendidos pelos palavrões e por expor, ao público, os problemas do País.

A “proibição” de nos meios de comunicação vinham do “Ato Institucional número 5, que concedia poderes ao Presidente da República para intervir e cessar qualquer atividade ou liberdade democrática.

Hugo Waldemar 

Foto de fotógrafo das velhas máquinas lambe-lambe

Na época Waldemar Sillas e eu, barbudos e com cara de poucos amigos ficamos “escalados” na sala restaurada e como “seguranças” de proteção ao elenco. Uma proteção ficcional e simbólica.

Uma Marília tímida e maravilhosa e os atores vieram no final, agradecer nosso apoio e solidariedade à retomada da peça depois do ataque facista dos integrantes do CCC.

Histórias que no coração quebrado pelas partidas de amigas e amigos, ainda recordo. Épocas da Ditadura Militar, que a violência tentava calar nossos sonhos.

Hugo Ferreira Zambukaki

Fotos: Internet e arquivo pessoal

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Parada Preta na Paulista.Inserir o título da postagem

 

Quanto dói uma morte? E quando não são uma, duas, três, quatro...

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Semana passada foi a morte do haitiano Fetiere Sterlin, assassinado em Navegantes Santa Catarina com 10 facadas, perto de sua casa junto com sua mulher brasileira. Ontem no dia 31 de outubro foi o jovem angolano Jocéu Wando Capilo estudante intercambista de engenharia que veio realizar seu sonho de se formar e voltar à Angola. Sonhos de jovens querendo se estabelecer no país, sonhos de quem vê a educação como forma de construir um futuro melhor. Sonhos perdidos, despedaçados.

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Como não lembrar dos da jovem Zulmira Cardozo, angolana, que formada queria comemorar, sua graduação e voltar para Angola, e ao encontrar seus amigos num bar do Brás onde a comunidade angolana se estabeleceu foi morta em 2012 com um tiro na testa. Cinco estudantes alvejados uma jovem grávida, e três rapazes. Não só foi a morte de Zulmira, seu namorado veio a falecer meses depois, com o peso de carregar de não ter sido morto em lugar da namorada.

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Africanos e caribenhos não são bem-vindos no Brasil, o que os encanta do maior país negro de mundo, o Brasil com 60% da população de origem afro-brasileira (preta, negra, morena ou seja lá o termo que você prefira) tem um sério problema de desigualdade social, onde esses 60% são excluídos da sociedade e remanejados para as periferias das grandes cidades. O que os atrai como a luz, os prejudica, excluí e os mata...

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O Brasil até os anos 60 era uma grande fazenda, os imigrantes europeus vieram para ocupar os lugares dos escravizados, fugidos de guerras e a fome das grandes migrações que o distúrbio pós guerra causa, vieram por serem uma mão de obra mais barata no capitalismo. Onde você usa uma mão de obra assalariada, e a descarta quando não necessita ou não é mais útil. Sem necessidade de comprar o escravizado, e cuidar dele quando fosse necessário, mais fácil usar a mão de obra excedente e farta na Europa e Ásia. E o que fazer com os descendentes de escravizados?

Uma política de contenção e marginalização nas periferias. Onde as prisões são mais importantes que as escolas. Onde os bandos de capitães do mato, transformaram-se em milícias, e as chacinas são a forma de conter pelo medo a população pobre, negra e periférica.

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Hoje domingo 1º. de novembro, os descendentes de Dandara, Zumbi, Nzinga e Toussaint Louverture uniram-se para protestar pelas mortes e violências contra imigrantes africanos e caribenhos, filhos da Diáspora Africana, brasileiros, haitianos, congolenses, angolanos numa manifestação no Vão Livre do Masp, mesmo lugar onde uma manifestação cobrava quem matou os jovens da Chacina dos 19 na Grande São Paulo. Organizado pelo VOHA Voluntários Amigos dos Haitianos, presentes diversas entidades e movimentos sociais.

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Som de um coração enlutado, batia o tambor de Claudete

Um tambor monocórdico, som de um coração enlutado cobrava o descaso no recebimento e acolhimento desses imigrantes. Uma militante Claudete Alves lembrava que somos um país de imigrantes, onde os donos da terra indígenas e africanos escravizados vivem marginalizados.

Paulista Manifestação 197 (1024x576)

Um usuário das barracas de antiguidades, de dedo em riste e atitude ameaçadora tentou calar o som do tambor e a voz dolorosa de quem lamenta os seus mortos. Mulatas tipo exportação de biquínis, e negros sorridentes fazendo música para ioiô dançar são bem-vindos, cidadãos cobrando seus direitos, são negros não são cidadãos.

Arquétipo guerreiro, em defesa da imagem da mãe, mulher, filha, companheiras cobrou rijo o direito:

“ – Quem é você para silenciar a voz dessa mulher que nos representa?

- Cala a boca racista. ”

Tranquila manifestação, presença constante a presença negra se fará na Paulista nos domingos. Ocupando espaços, onde a visibilidade negra, unida com seus parceiros grita pela inclusão e liberdade. Brasil onde todos têm sangue negro, uns no corpo e mente, outros nas mãos.

 

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Paulista com Itapeva – Parada Preta na Paulista

Unidos num espaço de liberdade no novo espaço dos paulistanos aos domingos, Avenida Paulista com rua Itapeva, uma ocupação como nos tempos da 24 de Maio, ou frente o Mappin um ponto de encontro de arte, cultura e alegria negra da Diáspora Africana em São Paulo: “Parada Preta na Paulista” #paradapretanapaulista

Hugo Ferreira Zambukaki

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Angola pensar é crime Pressão Internacional

O professor Boaventura de Souza Santos, professor da Universidade de Coimbra, na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de SP, onde lançava seus dois novos livros “O Direito dos Oprimidos” e “A Justiça Popular em Cabo Verde” (Cortez Editora), para ampliar vozes e diálogos junto dos Movimentos Sociais. Tendo como foco emergências e desafios das lutas sociais por cidadania e direitos, espera-se com o evento potencializar articulações e interconectar saberes em favor de uma agenda emancipatória de luta por direitos.

Agostinho 2

Interpelado por um jovem angolano no Brasil, Agostinho Martinho sobre a questão de cerceamento da liberdade de expressão em Angola, sobre os presos políticos angolanos, responde numa forma emocionada sobre a questão angolana e o envolvimento necessário dos jovens e movimentos sociais brasileiros, para formar uma pressão internacional ao Governo Angolano.

Lembrou que o Governo Brasileiro não tem interesse nas críticas sociais nos países em que tem interesses em negócios, pouco preocupado com as questões sociais ou defesa dos Direitos Humanos. Citou o caso do moçambicano Boaventura Monjane impedido de entrar no Brasil por críticas à Vale do Rio Doce, que desenvolvia um projeto que prejudicava milhares de famílias em Moçambique. O visto de entrada brasileiro só foi concedido por pressão internacional. O mesmo ocorre em Angola com as empresas transnacionais brasileiras, envolvidas em negócios que estão sobre investigação.

Boaventura Mojane

Chama a atenção de que a questão dos presos políticos angolanos, não é um problema de Angola, e sim uma preocupação de todos que se preocupam com a liberdade de expressão e defesa dos Direitos Humanos. No momento em que os jovens angolanos no Brasil se levantam contra essa opressão, ficam fragilizados sem apoio dos jovens brasileiros e da sociedade civil, podendo sofrer pressões e penalidades (o que já está ocorrendo), só com o apoio em manifestações e assinaturas do pedido de liberdade dos brasileiros, poderão se sentir seguros no seu justo pedido de uma democracia para Angola.

A paralisação da greve de fome pelo preso político Luaty Beirão, no seu 36º dia um fato simbólico idêntico aos 36 anos de permanência do presidente José Eduardo dos Santos de forma interrupta, não significa uma vitória mas uma continuidade de luta, já que os 15 + 2 presos políticos serão julgados agora no mês de novembro. Acusados por estarem lendo um livro de tentativa de golpe contra o presidente José Eduardo no poder há 36 anos, onde em Angola pensar torna-se um crime.

Assista o depoimento do professor Boaventura de Souza e o pedido de participação para a Sociedade Brasileira.

Em finais dos anos 1960, partiu para a Universidade de Yale com o objetivo de se doutorar. A sua tese de doutoramento, publicada pela primeira vez em português em 2015 (Direito dos Oprimidos, Almedina), é um marco fundamental na sociologia do direito, que resultou do trabalho de campo centrado em observação participante numa favela do Rio de Janeiro.

Fontes: Transnacionais avançam sobre Moçambique http://www.brasildefato.com.br/node/4606

Wikipédia Biografia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Boaventura_de_Sousa_Santos

sábado, 24 de outubro de 2015

O que nós temos com Angola?

 

Vários amigos estão me perguntado porque me preocupo com a situação atual de Angola.

Respondo da forma mais básica: -Minha avó era de Benguela.

Como 60 % da população brasileira, não sei de minhas origens africanas. Minha geração “os de 68” quando leram “Raízes” de Alex Haley maravilharam-se e procuraram suas raízes africanas. No Brasil maior país escravagista mundial e onde os documentos sobre a escravidão foram queimados para que os donos de escravos não exigissem uma reparação pela perda dos escravizados.

 Sem saber das origens corretas, elegi Angola como a minha terra ancestral. Local histórico de onde os escravizados embarcavam em destino ao Brasil. Muitos não eram angolanos, tenho acompanhado companheiros que tiveram oportunidade de fazerem exame de DNA e se surpreenderam muitos carregam genes europeus ou indígenas. Por sua cor são discriminados, como negros (negro é sinônimo de escravizado) .

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Os atiivistas angolanos acusados, presos políticos

O foco central são os quinze ativistas presos por lerem um livro, acusados de estarem organizando um golpe de estado contra o presidente angolano José Eduardo dos Santos e  a greve de fome de Luaty Beirão, rapper angolano em greve de fome há 33 dias, por desobediência civil. São 15 ativistas que liam um livro, e armados de canetas bics foram acusados de estarem à planejar um golpe de estado contra o presidente José Eduardo dos Santos no poder há 36 anos contínuos. Escrevo esse artigo, porque pouco de nós brasileiros sabemos onde fica Angola no mapa (e está provado a África é um continente).

Quando falei isso que não sabíamos onde Angola ficava, um jovem amigo angolano me esclareceu sobre o tamanho do desconhecimento: “E nem sabem que falamos português. ”

angola mapa 

Maior que nossas origens históricas, estão nossas realidades atuais. A corrupção fez uma ponte solida e duradoura entre Brasil, Angola e Portugal. O general Bento dos Santos, sobrinho por afinidade do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos. Está sendo investigado por inspetores da Polícia Judiciária e procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) estiveram na manhã desta quarta-feira a realizar buscas em dependências do Novo Banco (ex-BES) e residências em diversos pontos do país. As diligências começarão manhã cedo.

O general Bento dos Santos "Kangamba", sobrinho por afinidade do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, recentemente num discurso faz ameaças aos opositores do Presidente que eles “cairão” não serão vencidos por se oporem “cairão”. Uma ameaça fascista de um governo que fez uma revolução socialista.

 


O primeiro secretário do MPLA em Luanda, Bento Bento em ato  Promovido pela Organização da Mulher Angolana (OMA), em colaboração com o Comité Provincial do MPLA de Luanda,

O general Bento dos Santos é conhecido no Brasil por seu contato com redes de exploração de prostituição internacional envolvendo o eixo Brasil, Portugal e Angola.

A reportagem especial do Fantástico, denuncia uma rede de prostituição de luxo que você nunca viu nada parecido. Mulheres brasileiras eram levadas para fazer programas sexuais em Angola. “Famosas da televisão” eram levadas para Portugal, Angola e África do Sul segundo informações, o principal cliente era o general Bento dos Santos Kabanga, um dos homens mais poderosos da África. Ele chegava a oferecer US$ 100 mil por um programa. Veja na reportagem de Walter Nunes e Ernesto Paglia no Fantástico da Rede Globo

Fontes:

http://www.publico.pt/economia/noticia/policia-judiciaria-faz-novas-buscas-no-caso-bes-1672944?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29

http://www.pordentrodaafrica.com/noticias/direitos-humanos-por-dentro-da-africa-pede-libertacao-de-ativistas-angolanos

http://novasdaguinebissau.blogspot.com.br/2013/11/interpol-confirma-kangamba-e.html

http://www.prsp.mpf.gov.br/sala-de-imprensa/noticias_prsp/25-10-13-op.-garina-justica-federal-aceita-denuncia-contra-sete-acusados-por-trafico-internacional-de-pessoas-para-exploracao-sexual

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O "racismo cordial brasileiro" mata mais uma vez.

 

Bata

Em 2012 quando ocorreu o ataque aos estudantes angolanos no Brás, nossa irmã Zulmira Cardoso morreu assassinada com um tiro na cabeça. Nesse momento foram organizados protestos e surgiu uma "Mobilização Zulmira Somos Nós" outros casos de mortes e violências foram levantados na época contra africanos e caribenhos. No dia da manifestação em frente a Secretaria de Justiça, denúncias de morte e violências contra imigrantes latinos americanos em São Paulo, totalmente ignorados pela polícia e mídia tradicional.

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Surge nas mortes a invisibilidade dos descendentes de escravisados: “Índios” nativos da América e africanos, todos escravisados pelos “colonizadores europeus” diferentes mas negros (termo usado para escravizados) : “negros da terra” (índios) e “negros da guiné”. Todos periféricos e excluídos do sistema.

Por serem negros (pretos) recebem o ódio de uma sociedade que ainda não sabe lidar com o passado de ter sido o maior país escravagista do mundo. O que fazer com os descendentes de ex-escravizados no Brasil? Exclui-los e confinar nas periferias, erguer grandes muros, guaritas, e uma força policial destinada a proteger à propriedade particular dos privilegiados. Erguer muros, barreiras em shoppings, condomínios e praias.

Os imigrantes e refugiados, não tem a "paciência" ou a malícia do negro brasileiro de não responder à provocações, quando reagem à essas provocações, são violentamente espancados ( caso dos estudantes angolanos na USP que roubados, foram reclamar para a polícia confundidos com ladrões apanharam da polícia) ou morrem como Zulmira Cardoso a angolana que iria voltar diplomada morta com um tiro na cabeça ou o haitiano Fetiere Sterlin morto recentemente com dez facadas no peito.

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O haitiano Fetiere Sterlin

Os movimentos negros na sua retomada nos anos 70 tinham uma ampla articulação com os movimentos africanos  e da Diápora africana. Havia contato com Angola, Moçambique, Cabo Verde, África do Sul,  França e Estados Unidos.

Hoje muita coisa se perdeu, quando se fala em uma ação pan-africanista de solidariedade, há setores que dizem: “temos de nos preocupar com os nossos problemas, do genocídio da juventude negra no Brasil…” Esquecem que separados não somos tão fortes, e que o Brasil pouco ou nada aparece na mídia internacional. Essa visão de um projeto de união pan-africanista surge forte quando os movimentos contra a violência do estado contra a população negra, pobre e periférica (Amparar, Mães de Maio, Mães do Cárcere) se unem em apoio ao pedido de solidariedade aos presos políticos angolanos: Liberdade Já! #liberdadeja

O que apoiar em cenários políticos complexos e distantes. A mídia tradicional brasileira é voltada para uma visão eurocentrista e norte-americana. Nessas horas é que surge a voz forte do poeta Solano Trindade “pernambucano que se instalou no Embu das Artes em São Paulo).

Solano Trindade Negros

 

Mães de Maio: Liberdade já! Aos jovens angolanos presos.

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Cohab 2 Itaquera Zona Leste SP

Importantes organizações dos movimentos negros e periféricos unem-se no pedido da libertação dos jovens ativistas angolanos entre elas a OLPN (Organização pela Libertação do Povo Negro) , Círculo Palmarino, Conen (Coordenação Nacional de Entidades Negras), o SOS Racismo da Assembleia Legislativa de São Paulo através de sua coordenadora Eliane Dias. Vários rappers e músicos brasileiros se unem à luta dos rappers angolanos. Um deles é Chico César.

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Luiza Erundina deputada brasileira apresentou em seu pronunciamento hoje, no parlamento federal, uma moção de apoio aos presos políticos angolanos e apelo à ‪#‎LiberdadeJá dos 15+2. A moção será encaminhada ao Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos.

 

Hora de organizar uma frente, contra as violências racistas contra africanos e caribenhos no Brasil. É essa a proposta da Mobilização Diáspora SP."

Hugo Ferreira Zambukaki

Fontes:

Discurso da deputada Luiza Erundina https://www.youtube.com/watch?v=PcWtEbH0-jM

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/10/19/haitiano-e-assassinado-em-navegantes-sc.htm

Estudantes estrangeiros da USP são espancados pela polícia militar, após reagirem a provocações racistas
Leia a matéria completa em: Estudantes estrangeiros da USP são espancados pela polícia militar, após reagirem a provocações racistas - Geledés http://www.geledes.org.br/32721/#ixzz3pIwWNmEi
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terça-feira, 29 de setembro de 2015

Movimento Negro brasileiro lutas da Diáspora africana

 

O Movimento Negro brasileiro, lutas da Diáspora Africana

Nesse momento os angolanos em vários locais do mundo se unem numa frase: “Liberdade Já!”, pedindo a liberdade para os presos políticos de Angola. Jovens que se reuniam numa casa em Luanda, capital de Angola, estudantes, professores e jornalistas, que se opõem ao presidente José Eduardo. Segundo os ativistas organizavam manifestações pacíficas.

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A acusação do governo sob suspeita de conspirar e tramar a derrubada do presidente José Eduardo dos Santos, no poder há 36 anos.

As provas apresentadas pela polícia foi um livro “Da Ditadura à Democracia” do escritor americano Gene Sharp, usado durante a “Primavera Árabe”. Especula-se que o medo de uma Primavera Angolana, num país em crise econômica, tenha levado o governo a agir.

Mães de presos

Há cem dias um grupo de mulheres e parentes dos 15 prisioneiros, jovens de 18 a 37 anos, mantidos em celas solitárias desde junho se mobilizam .

A tarefa de chamar a atenção da população, num país onde imprensa, cortes e sociedade civil são dominados pelo Estado é das mais difíceis. "Queremos que a comunidade internacional pressione, só assim o governo ouve", diz Marcelina de Brito, cujo irmão, o professor Inocêncio, 29, é um dos presos.

As mulheres fizeram duas manifestações em Luanda, ambas reprimidas pela polícia. "Vieram com porretes, soltaram os cães em cima de nós".

O governo afirma que o grupo tinha planos de convocar uma "insurreição".

"As consequências desta rebelião seriam incalculáveis. Seria como uma bola de neve. Inicialmente podia ser que nada acontecesse, mas também podia acontecer tudo e, como se diz, mais vale prevenir do que remediar", disse o vice-procurador-geral da República, Hélder Grós

No dia 28 de agosto houve manifestações em apoio aos presos políticos, em Luanda, Lisboa, Berlim e São Paulo. Manifestantes angolanos, defensores dos Direitos Humanos e do movimento da Diáspora uniram-se ao pedido de: “Liberdade Já! ” .

O que ocorre em Angola? Conversando com diversos militantes dos movimentos negros brasileiros, a primeira pergunta que surge: “Quem está contra é de direita? ”

Essa pergunta é extremamente pertinente, principalmente dos antigos militantes dos movimentos negros. Durante os anos de Ditadura Militar aqui no Brasil, havia uma ligação da iniciante organização do chamado “Moderno Movimento Negro” iniciado nos anos setenta com os movimentos de libertação africana.

O Brasil da Ditadura (mascarada com eleições indiretas no Congresso) tinha como estratégia a ocupação dos espaços políticos e econômicos das antigas metrópoles na África. Principalmente os países colonizados por Portugal. Uma controvérsia onde se reprimia a oposição, com cadeias, extermínios, assassinatos de prisioneiros, torturas, força policial e militar, abria-se uma via diplomática com movimentos revolucionários de esquerda.

Nós na época jovens entrávamos em contato com participantes, da Frente de Libertação de Moçambique FRELIMO, com angolanos participantes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) que havia conseguido sua liberdade em 1974/75. Na época em São Paulo e em vários estados brasileiros, questionávamos a comemoração dos “Noventa Anos” da chamada Abolição que ocorreria no dia 13 de maio de 1978. O 13 de maio era comemorado com o governador indicado pelo presidente militar, e a chamada “comunidade negra” que apoiava os militares, ou que dizia que: “não devemos contestar a ditadura militar pois não é problema nosso”. O saudoso poeta professor Eduardo de Oliveira resumia muito bem: “Não podemos nos considerar uma comunidade, uma comunidade se apoia, se ajuda. Infelizmente não existe comunidade negra. ”

Além de termos contestados em 1978 as comemorações do 13 de maio, no dia 7 de julho ocorreria o ato no Teatro Municipal para a criação do Movimento Unificado contra a Discriminação Racial, que mais tarde se tornaria o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial.

O primeiro Caderno Negros editado em 1978, teve poesias de Cuti (Luiz Silva) e Hugo Ferreira, encenadas num teatro francês alternativo, como demonstração de críticas sociais e exclusão da população negra no Brasil.

Além de mera lembrança de um velho militante, surgem agora documentos que a repressão da ditadura: “Com medo de que a luta pela igualdade racial crescesse à luz de movimentos internacionais como o Panteras Negras e se voltasse contra a polícia, a ditadura passou a seguir os passos de militantes e reuniões do embrionário movimento negro brasileiro”

“Havia uma preocupação da ditadura de que ideais do movimento armado Panteras Negras, por exemplo, e da luta dos direitos civis americanos pudessem chegar aqui. Por isso, o regime acompanhou vigilantemente manifestações políticas e encontros. ” (Segundo a socióloga Flavia Rios, autora da tese Elite Política Negra no Brasil: Relação entre movimento social, partidos políticos e estado.) Angela Davis que foi a grande musa nos anos 70 esteve várias vezes no Brasil, expressando-se em português.

angela-davis

A preocupação não era só com os negros americanos. Os arapongas da ditadura relatam no segundo semestre de 1978 em Salvador, “agitadores angolanos no movimento negro, caracterizados como refugiados da guerra civil”. Ruth Neto irmã do presidente Agostinho Neto esteve no Brasil, e entrou em contato com militantes do movimento negro.

Estima-se que 42 dos 434 mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura eram negros. E o que é ser negro no Brasil, uma auto definição e uma postura política. A definição de si (auto definição) e a definição dos outros .... antes de tudo uma posição política. (professor Kabengele Munanga)

Durante a formação dos novos partidos, tentando evitar-se a dispersão dos militantes da oposição contra a Ditadura Militar, surgia em São Paulo a “Frente Negra Para Ação Política de Oposição” cuja sigla “FRENAPO” remetia-se a “Frente Negra Brasileira” e a “FRELIMO” de Moçambique.

Em fevereiro de 1990 faziamos uma comemoração à libertação do preso político mais importante da África do Sul, Nelson Mandela, em plena Praça da Sé em São Paulo chamada Festa da Liberdade.

Festa da Liberdade

Um pouco antes das eleições na África do Sul, Mandela veio pessoalmente ao Brasil em agosto de 1991, para buscar apoio político no caso de vencidas as eleições, fosse impedido de assumir. Em 1995 as centrais sindicais sul africanas (pós Apartheid) e norte americanas vieram ao Brasil, para organizar a participação nas comemorações do Tricentenário de Zumbi dos Palmares. Não se comemora o treze de maio, questiona-se o catorze de maio dia seguinte da “abolição” ou exclusão do descendente de negros (escravizados) indígenas ou africanos, que vivem nas periferias do sistema.

Havia uma preocupação de uma visão pan-africanista dos dois lados do Atlântico.

E agora o que ocorre em Angola?

Nada melhor que uma explanação clara de quem acompanha os acontecimentos em Portugal e Angola. Encontramos essa visão no artigo “O rap e o ativismo pelos direitos humanos em Angola - parte 1” da Professora Doutora Susan de Oliveira em Literatura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Brasil.

“Nos últimos cinco anos, entre 2011 e 2015, observamos o aparecimento e a frequência de protestos políticos em Angola, notadamente em Luanda, organizados por jovens sem filiação partidária direta ou militância institucional. Em 2013, esses jovens ficaram conhecidos como fundadores do Movimento Revolucionário Angolano (MRA) e fazem parte da geração que soma a herança de duas guerras, a de Independência (1962-1974) e a Civil (1975-2002) e que estão, portanto, vivendo um recentíssimo período de paz ao mesmo tempo em que percebendo o limite do que restou do projeto de nação após esses conflitos. Eles são os descendentes dos revolucionários que dedicaram suas vidas à luta pela independência que culminou no atual regime o qual se anunciava socialista e democrático em seus primórdios, mas mostrou-se o contrário disso ao longo dos anos. Hoje, essa geração mais jovem enfrenta, sem perspectivas, as mazelas de um país capitalista e profundamente desigual que prospera economicamente e cultiva, a despeito disso, um caos social decorrente da falta de políticas públicas em vários setores - como saúde, educação, habitação, saneamento básico, emprego - e do ataque sistemático aos direitos humanos promovidos pelo atual governo de José Eduardo dos Santos que assumiu o poder em 1979, sucedendo a Agostinho Neto (1974-1979), então falecido. O MPLA que governa desde 1974, sendo José Eduardo dos Santos o presidente nos últimos 36 anos, enfrenta por seu turno a indignação de opositores entre os quais os partidos históricos UNITA e FNLA, e os mais recentes BD (Bloco Democrático), CASA-CE (vConvergência Ampla da Salvação de Angola), PDP/ANA (Partido Democrático para o Progresso/ Aliança Nacional de Angola) e esse jovem Movimento Revolucionário apartidário que expressa a revolta social com mais veemência que os cinco partidos políticos juntos.”

Num momento em que imigrantes, refugiados de guerra, e estudantes, da Diáspora Africana vivem no Brasil e sofrem além dos problemas de adaptação o xenofobismo, racismo e intolerância. Podemos citar desde o ataque em 2012 aos estudantes angolanos no Brás onde foi assassinada a jovem formada Zulmira Cardoso, que se preparava para retornar a Angola, aos ataques com espingarda de chumbinho aos haitianos na Missão de Paz em São Paulo, e o ataque ao senegalês em Santa Maria no RS em 2015.

Liberdade Já Angola (1024x766)

Mães, irmãs, manifestações em Luanda, Lisboa e São Paulo – Brasil

Ao pedido de solidariedade, em defesa da liberdade de expressão é que nos juntamos à solidariedade mundial pan-africanista: Liberdade Já! Aos presos políticos de Angola

 

Fontes: - Jornal Folha de São “Angolanas expõem abuso de presos políticos” artigo de Fábio Zanini Colaboração para a Folha, em Luanda

- Carta Capital: “Como a ditadura perseguiu militantes negros” artigo de Marsílea Gombata

- Buala: “O rap e o ativismo pelos direitos humanos em Angola - parte 1” artigo de Susan de Oliveira - (Pós-doutorada em Literatura Comparada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (2015); doutorada em Literatura (2006), mestrado em Literatura (2001) e graduação em geografia (1993), todos pela Universidade Federal de Santa Catarina entre algumas titulações da professora pós doutorada)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Meias verdades, constroem grandes mentiras

 

Bom dia professora Márcia Ghalyella, interessante o vídeo: “Algumas mentiras sobre escravidão que você acreditou a vida inteira” do “Canal Fatos desconhecidos” que eu desconhecia

Mais a proposta de ter que dar uma resposta, para os alunos do Ensino Fundamental II , do 6 ano de escolaridade de Cubatão-

 

Acabamos de assistir Josiani e eu, somos professores, e a primeira impressão que fica é que esse vídeo não leva as pessoas à pensarem. Traz uma ideia pronta, feita para contestar algo.

Resumindo é uma peça de propaganda, vídeo bem feito tecnologicamente, produção, uma preocupação com o apresentador trazer a mistura racial brasileira. Todo um cuidado e preocupação, e aí vem a pergunta: “Quem está financiando e por quê? ”

O discurso ideológico desse vídeo, é o mesmo da Rede Globo, através do Ali Kamel e seus livros contra as Cotas e colocando os descendentes de africanos escravizados como acomodados e querendo algo indevido como Cotas e Reparações. Isso por si só é um debate de várias teses. Fico com as palavras do professor e doutor Milton Santos “A classe média não requer direitos, e sim privilégios. ”

U291099ACME

Uma peça de propaganda transforma meias verdades. Há um documentário sobre as propagandas nazistas antes da guerra, onde Hitler jogava a força e o desenvolvimento econômico e militar da Alemanha nazista da diretora Leni Riefenstahl, as mesmas imagens foram usadas num documentário norte-americano com outra mensagem contra o nazismo dirigidas pelo diretor Frank Capra.

Você pode ver um copo meio cheio, ou meio vazio ou informar que ele está pela metade, ou cheio de ar e líquido. Depende do que você defende, ou se quer que as pessoas desenvolvam o raciocínio e o livre arbítrio.

Copo pela metade

Hoje na historiografia brasileira contestam a visão do historiado Décio Freitas, que escreveu sobre Palmares e a Guerra do Paraguai. Alegam que é uma visão marxista, e o documentário entra nessa linha histórica de revisão. Há controvérsia no que o documentário apresenta no momento que apresenta o copo meio vazio, e as outras versões?

Hoje há revisões históricas de tudo. Questiona-se o papel de Tiradentes, dizem até que não foi enforcado e viveu na numa das Colônias portuguesas na África, questiona-se a existência histórica do “Aleijadinho” e o “History Channel” que muitas vezes é citado como fonte confiável, apresenta documentários questionando a história de Jesus, e até negando sua existência histórica. O canal “Discovery Channel” da mesma empresa apresentou há poucos um documentário “Sereias” sobre a existência de fósseis, um professor doutor apresentado evidências. E tudo falso, o professor doutor um ator, a história das sereias os fósseis uma farsa apresentada aos assinantes do canal como verdadeiro.

Sereias

Pseudo-Documentário Nermaids (Sereias) do Discovery Channel e Animal Planet

Como acreditar num documentário “Algumas mentiras sobre escravidão que você acreditou a vida inteira que usa fontes falsas?

Esse documentário é uma peça de propaganda para justificar as Cotas como indevidas.

Como está a situação dos descendentes dos escravizados, nativos da América e da África hoje no Brasil? Não há necessidade de compensar essa desigualdade histórica?

A escravidão africana e nativa americana foi usada para destruírem impérios e civilizações e tomarem a terra em nome do rei e do papa. Quem foi o papa Alexandre VI (Rodrigo Borgia) que assinou a divisão da América o papa mais corrupto, e devasso da história papal.

Houve escravidão em todos os povos, mas só em dois locais se usou de forma violenta para destruir e depois ocupar as terras, América e África.

Qual a diferença entre imigrantes que vieram para o Brasil e os escravizados ameríndios e africanos? No caso dos imigrantes a força era a unidade familiar (uma família 4 enxadas), no caso dos escravizados era a destruição da família e da cultura para exercer a opressão da escravidão

Esse documentário reforça a ideia com meias verdades, a como fosse mentira a afirmação e luta dos escravizados africanos e indígenas lutando contra a exclusão que vivemos.

Grande abraço Márcia, somos admiradores do seu trabalho

Hugo Ferreira Zambukaki

 

Fontes que podem ser consultadas:

Cinema, Propaganda e Ideologia http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/05/cinema-propaganda-e-ideologia.html

Lá vamos nós de novo: As incansáveis sereias que não morrem jamais

https://calmariatempestade.wordpress.com/2013/05/29/la-vamos-nos-de-novo-as-incansaveis-sereias-que-nao-morrem-jamais/

- Hugo Ferreira Zambukaki, é professor, advogado colaborador de diversas páginas Catorze de Maio, Zambukaki, Zulmira Somos Nós entre outras

- Márcia Ghalyella Professora na Prefeitura de Cubatão e Prefeitura Municipal de Guarujá

Participante da página Leis 10.639/03 e 11.645/08 - Material de apoio ao educador

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Imigrantes e refugiados no Brasil

Momento de reflexão e ação

O maior foco é o preconceito existente na imigração aos africanos e seus descendentes (no caso do Brasil os haitianos). O que devemos ou podemos fazer como grupo.

Em Londrina, uma atitude covarde foi transformada em exemplo de gentileza e solidariedade:
Na manhã de hoje, um senegalês foi alvo de ofensas racistas e preconceituosas. Uma moradora da região, jogou na direção dele uma banana, o xingou e ainda o agrediu com um tapa.
Uma senhora incomodada com a situação, pediu desculpas ao rapaz e disse que o povo brasileiro não é assim. Que orgulho desta atitude!
Por um mundo com mais amor, mais senhora como esta e menos preconceito!

Fonte:Rede Massa

https://video-gru1-1.xx.fbcdn.net/hvideo-xla1/v/t42.1790-2/11991461_902286973160565_1561022138_n.mp4?efg=eyJybHIiOjQ2NCwicmxhIjo1MTJ9&oh=e80046ead4d72e852b88c7b753423571&oe=55F318D3

Não é uma questão acadêmica, nem palavreado. Uso meios de transporte de massa e todo dia encontramos uma quantidade grande de africanos e haitianos que vivem nas periferias da Grande São Paulo.

Manifestação Zulmira

foto Hugo Zambukaki

Em 2012 participamos com um grupo de jovens estudantes angolanos, das manifestações contra os autores dos tiros que mataram a jovem angolana Zulmira Cardoso, e atingiram mais quatros estudantes angolanos no Bairro do Brás em São Paulo. Não são apenas bananas que jogam.

Por força da Mobilização Zulmira somos nós e apoio do Consul de Angola em São Paulo Belo Mangueira presente por 13 horas com os estudantes angolanos durante o julgamento, um dos acusados foi condenado à 37 anos.

No dia da Manifestação em frente à Secretária da Justiça em São Paulo outras mortes e desaparecimentos foram relatados e aí também por sul-americanos (paraguaios e bolivianos). Na época pensou em tornar-se a Mobilização uma ação permanente dos grupos do Movimento (ou mesmo dos que agem sem entidades). Não foi levado à frente por vários motivos, mas está chegando a hora de pensar novamente em uma ação dos vários grupos em uma Frente de ação. Há em São Paulo imigrantes ou refugiados de mais de 20 países africanos. Hora de reflexão e ação.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Liberdade para os presos políticos de Angola!

Liberdade para os presos políticos de Angola! O garoto sírio Aylan morto na praia, a morte de Cristian Andrade, quem matou os 19 de Osasco/Barueri, cadê o Amarildo?

O QUE EU TENHO COM ISSO?

Difícil entender quem somos nós. Viver nossa vida, com os limites de nossos olhos, ou olhar o mundo?

Há muitos anos entendi que para tentar compreender a história do Brasil, tinha de entender a história do mundo. Quem somos, nossas limitações, nossas barreiras?

Apenas uma grande motivação tenho, não sou cidadão de segunda classe, lutei contra ditaduras, e minha família enfrentou outras. Mais meu pai nasceu em 1898 dez anos depois da “abolição” sofreu preconceitos e barreiras, enfrentou e venceu numa história de superação que admiro.

Vivo o meu tempo, quando era jovem, saímos às ruas questionando a Ditadura Militar, às violências policiais, o determinismo social que pregava que no Brasil “não existia racismo, enquanto o negro soubesse seu lugar”. Ninguém nasce negro no Brasil, torna-se com as barreiras que lhe impõem, e você descobre que tem barreiras na sua própria família, a ideologia da dominação das diferenças lhe é ensinada.

Momento atual, vivemos uma crise do capitalismo, onde o cobertor é curto, e o sul do planeta (explorado, sugado pelo norte) fica ao descoberto. Migrações e refugiados tem diferença? Procurar vida melhor para você e sua família, desejo ancestral que fez a Humanidade migrar da África e colonizar o planeta. Vejo migrantes, refugiado na minha rua, vejo nativos originais (“índios”) pedindo esmola com um artesanato afirmando sua cultura.

Venho de uma época, onde vivíamos uma “luta de libertação da África” ou as guerras coloniais, junto com a luta contra a Ditadura Militar no Brasil. Apoiávamos um preso político da África do Sul, que depois veio à ser presidente, sonhávamos com um militante poeta que também veio à ser presidente em Angola. Fizemos manifestações na frente do Consulado da África do Sul na Paulista, na Praça da Sé comerando a liberdade do preso político pelo Regime do Apartheid, Nelson Mandela.

Festa da Liberdade

Hoje África do Sul e Angola, não são os sonhos libertários de Mandela e Agostinho Neto. Procure se informar e apoie a luta dos protagonistas dessa luta. É por isso que apoio e repito a fala de mães, mulheres e irmãs:

“LIBERDADE PARA OS PRESOS POLÍTICOS DE ANGOLA! ”

“QUEM MATOU OS 19 DE OSASCO/BARUERI? ”

“CADÊ OS AMARILDOS? ”

“ZULMIRA SOMOS NÓS! ”

Tantos são os nomes dessas “mortes severinas”, uma luta internacional que começa na esquina de nossa casa, nossas bandeiras são manchadas do sangue escorrido no chão. Separar, dividir colorindo é função do opressor, e ele não seria forte se não tivesse aliados entre os oprimidos.

Hugo Ferreira Zambukaki

Liberdade Já Angola (1024x766)

Apoie a Petição: Liberdade Já aos presos políticos de Angola!
http://www.peticaopublica.com.br/viewsignatures.aspx…

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Versão negra de profetas, reis e anjos

Fotógrafo lança projeto com versão negra de profetas, reis e anjos

E se os personagens bíblicos fossem todos negros?

por Jarbas Aragão

Fotógrafo lança projeto com versão negra de profetas, reis e anjos

E se os personagens bíblicos fossem todos negros? 

Quase todas as representações dos personagens bíblicos ao longo da história mostra homens e mulheres da raça branca. Embora não se tenham relatos detalhados de como era a aparência dos profetas, reis e outras pessoas cuja história é contada na Bíblia, o mais provável é que eles tinham a cor de pele parda, típica do Oriente Médio.

Existem ainda menções claras a negros e sabe-se que parte da trajetória dos judeus e da vida de Cristo ocorreu na África.

O Fotógrafo James C. Lewis, do estúdio N3K Foto Studios, de Atlanta, decidiu provocar uma discussão, apresentando estas figuras conhecidas sob uma nova perspectiva. Sua mostra “Ícones da Bíblia” revela sua leitura de vários personagens famosos do Antigo e do Novo Testamento, incluindo o apóstolo Pedro, o profeta Elias, o rei Salomão e até anjo Gabriel.

A série apresenta 70 modelos, na sua maioria negros. “Eu acho muito importante a pessoa ver a si mesmo na Escritura para que ela possa se tornar real a seus olhos”, explicou Lewis, que é negro, ao The Huffington Post.

“As imagens clássicas da Bíblia sempre me incomodaram. No entanto, estou feliz por ter a oportunidade de apresentar um ponto de vista diferente”.

O artista explica que não pretende oferecer uma visão perfeita ao representar as figuras bíblicas sendo negras, mas quer provocar uma discussão sobre a natureza das imagens religiosas cristãs.

“Eu gostaria de dar mais cor às páginas bíblicas da história. Ao fazê-lo, espero abrir as mentes e os olhos dos ignorantes e criar conversas francas sobre como podemos aprender a ver o mundo através de lentes coloridas. Afinal, o Evangelho de Jesus Cristo é destinado a todos”.

Anjo Gabriel negro

O anjo Gabriel.

Profeta Samuel negro

Profeta Samuel.

Rebeca negra

Rebeca, esposa de Isaque.

Embora nas imagens divulgadas do projeto não há um Jesus negro, o assunto é debatido há décadas em alguns círculos teológico, sendo abundante o debate que a representação de Jesus como um homem branco (muitas vezes de olhos e cabelos claros) perpetua um viés racista da pregação durante o século 18 e 19, e que se perpetuou em adaptações para cinema e TV da história de Cristo.

Fontes Gospel Prime; The Huffington Post.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Cartas de uma angolana para um amigo brasileiro (01)

 

Dunga post

O que Dunga disse foi uma confissão pública daquilo que os brancos brasileiros acham dos seus compatriotas afrodescendentes. Não foi "ato falho" foi exteriorização de um sentimento bem verdadeiro que saiu numa hora em que estava realmente magoado por tanto ter apanhado.

Aqui em Angola onde existem várias línguas nacionais e alguns têm vergonha de as falar (fruto do colonialismo) os mais velhos dizem o seguinte: -"É na hora de muita dor que cada um chora na sua língua materna e aí se descobre de que região o indivíduo é" o racismo faz parte da língua materna do Dunga. Por isso ele falou que, apanha que nem afrodescendente. Assumiu seu racismo. Apenas se equivocou quando disse que afrodescendente gosta de apanhar. Negro não gosta de apanhar, eles é que gostam de bater cruelmente em seres humanos semelhantes, porque se julgam superiores.

Tem agressão maior do que tirar os negros da sua terra natal, escraviza-los durante séculos, jogá-los numa praça pública sem eira nem beira (a tal de abolição) e depois continuar a massacrar por séculos os seus descendentes? E depois um descendente daqueles escravizadores diz que afrodescendente gosta de apanhar? ? Pelo amor de Deus! ! Dunga deveria ser processado por injúria racial e difamação. Difamação por ter mentido que afrodescendente gosta de apanhar. Ele deveria demonstrar provas de como os afrodescendentes gostam de apanhar. E para terminar gostaria de dizer que ser afrodescendente não se acha que é, apenas se é.

Dizer que acha ser um afrodescendente é uma verdadeira agressão ao estado de quem o é de fato. Minha solidariedade aos meus irmãos afrodescendentes espalhados pela Diáspora.”

 

Judith Luacute Judith Luacute

de Luanda – Angola

Judith Luacute é enfermeira formada na USP, graças ao intercâmbio cultural e de cooperação entre Brasil e Angola.  Trabalhou 15 anos consecutivos em hospitais brasileiros na cidade de São Paulo, onde adquiriu a experiência que dá suporte ao seu trabalho em Angola.

Ícone de profissionalismo em seu país, uma mulher moderna, que não esqueçe de cultuar as tradições e tem seu coração imensa ponte entre Angola e Brasil.

Olorum me perrnita celebrar um dia sua presença, amiga, irmã virtual nossos posts são cartas unindo corações almas através do Atlântico. Resgates…

Hugo Ferreira Zambukaki – São Paulo – Brasil

Cartas para minha irmã angolana

Histórias que você conta são significativas Judith Luacute. Tenho um momento que ao relembrar as lutas, numa reunião as emoções embargavam minha fala e marejavam meus olhos. Josi companheira e esposa registrou em vídeo minha fala emocionada
Momentos não escritos em livros, mas infelizmente vivenciados por nós em nossas vidas, e esses nossos depoimentos deveriam ser registrados para não serem esquecidos. Por serem nos magoarem ferem nossos sentimentos.
A Universidade de São Paulo, surgiu de uma derrota militar do estado de São Paulo perante a Ditadura Vargas. A Revolução de 1932 teve em suas fileiras inúmeros negros e índios, não só em batalhões formados de voluntários, mas nos quadros do Exército Brasileiro que lutaram contra a Ditadura.
O negro brasileiro escravizado, buscava uma forma recuperar sua liberdade e restaurar sua cidadania. O Exército desde a Guerra do Paraguai (1864/1870) contou com uma maioria de soldados negros. Participar do Exército era uma forma dos negros e pardos livres se inserirem na sociedade brasileira. A Escola Militar de Resende RJ formou oficiais militares vindos das camadas populares (década de 20 e meados de 30). O subcomandante militar de São Paulo era o coronel Palimércio de Resende negro.

 Coronel Palimercio Coronel Palimércio de Resende subcomandante da Revolução de 1932 em São Paulo

Meu pai tenente Ferreira foi dos tenentes revolucionários que lutaram contra a Ditadura, teve sua perna metralhada e só não ocorreu a amputação porque fugiu do hospital no dia marcado. Sobreviveu e nasci em 1946.

Tenente Ferreira e companheiros de farda (185x260) (276x389)

Tenente Ferreira (José Ferreira da Silva meu pai) ao centro assinalado com companheiros de farda “tenentistas” .

Perdida a Revolução de 32 contra a Ditadura, a elite criou um projeto de formar lideranças da burguesia paulista, surgia aí a USP a Universidade de São Paulo.
Se na Revolução de 1932 havia espaço para as classes populares (negros, índios e pobres) lutarem, não havia espaço na Universidade criada. Daí a surpresa do segurança negro em barrar sua entrada. Quem lutou e derramou o sangue por São Paulo é barrado em entrar na USP pela profunda desigualdade social que existe no Brasil.
Posso dizer que a situação piorou desde a sua vinda, tive contato com jovens estudantes angolanos, amigos de Zulmira Cardoso a jovem morta em 2012 por racistas brasileiros no Brás, e um deles me dizia: “-Conheci o que era o racismo brasileiro, quando desci no Aeroporto. ”

Zulmira bata
Há uns seis meses estudantes angolanos da USP, foram espancados pela polícia, quando um deles teve seu celular roubado e com ajuda dos amigos tentou recuperar dos ladrões. Na briga ocorrida chamaram a polícia, que chegando bateu em quem era mais escuro (no caso os estudantes angolanos).
Esses fatos não são locais, é uma questão mundial. Não só dos africanos da Diáspora causada pela escravização, mas hoje pela imigração. A África continua sendo espoliada e explorada, intervenções militares dos países ditos civilizados destruíram estados nacionais instalando o caos forçando a saída desses países. Se parte da Europa e o Estados Unidos são ricos é em função de uma política imperialista e exploradora de países ditos subdesenvolvidos.
Lutamos, tentamos nos organizar, coloquei hoje fotos que registrei uma manifestação de nossos companheiros em frente ao Palácio do Planalto em 2012. O caminho é longo...
Que suas memórias e as nossas formem uma união efetiva entre nossos povos em lados diferentes do Atlântico, mas irmãos em luta e coração. Grande abraço amiga, companheira de luta, minha irmã.

Hugo Ferreira Zambukaki

Cartas para minha irmã angolana

Histórias que você conta são significativas Judith Luacute. Tenho um momento que ao relembrar as lutas, numa reunião as emoções embargavam minha fala e marejavam meus olhos. Josi companheira e esposa registrou em vídeo minha fala emocionada
Momentos não escritos em livros, mas infelizmente vivenciados por nós em nossas vidas, e esses nossos depoimentos deveriam ser registrados para não serem esquecidos. Por serem nos magoarem ferem nossos sentimentos.
A Universidade de São Paulo, surgiu de uma derrota militar do estado de São Paulo perante a Ditadura Vargas. A Revolução de 1932 teve em suas fileiras inúmeros negros e índios, não só em formados de voluntários, mas nos quadros do Exército Brasileiro que lutaram contra a Ditadura.
O negro brasileiro escravizado, buscava uma forma recuperar sua liberdade e restaurar sua cidadania. O Exército desde a Guerra do Paraguai (1864/1870) contou com uma maioria de soldados negros. Participar do Exército era uma forma dos negros e pardos livres se inserirem na sociedade brasileira. A Escola Militar de Resende RJ formou oficiais militares vindos das camadas populares (década de 20 e meados de 30). O subcomandante militar de São Paulo era o coronel Palimércio de Resende negro.

 Coronel Palimercio Coronel Palimércio de Resende subcomandante da Revolução de 1932 em São Paulo

Meu pai tenente Ferreira foi dos tenentes revolucionários que lutaram contra a Ditadura, teve sua perna metralhada e só não ocorreu a amputação porque fugiu do hospital no dia marcado. Sobreviveu e nasci em 1946.

Tenente Ferreira e companheiros de farda (185x260) (276x389)

Tenente Ferreira (José Ferreira da Silva meu pai) ao centro assinalado com companheiros de farda “tenentistas” .

Perdida a Revolução de 32 contra a Ditadura, a elite criou um projeto de formar lideranças da burguesia paulista, surgia aí a USP a Universidade de São Paulo.
Se na Revolução de 1932 havia espaço para as classes populares (negros, índios e pobres) lutarem, não havia espaço na Universidade criada. Daí a surpresa do segurança negro em barrar sua entrada. Quem lutou e derramou o sangue por São Paulo é barrado em entrar na USP pela profunda desigualdade social que existe no Brasil.
Posso dizer que a situação piorou desde a sua vinda, tive contato com jovens estudantes angolanos, amigos de Zulmira Cardoso a jovem morta em 2012 por racistas brasileiros no Brás, e um deles me dizia: “-Conheci o que era o racismo brasileiro, quando desci no Aeroporto. ”

Zulmira bata
Há uns seis meses estudantes angolanos da USP, foram espancados pela polícia, quando um deles teve seu celular roubado e com ajuda dos amigos tentou recuperar dos ladrões. Na briga ocorrida chamaram a polícia, que chegando bateu em quem era mais escuro (no caso os estudantes angolanos).
Esses fatos não são locais, é uma questão mundial. Não só dos africanos da Diáspora causada pela escravização, mas hoje pela imigração. A África continua sendo espoliada e explorada, intervenções militares dos países ditos civilizados destruíram estados nacionais instalando o caos forçando a saída desses países. Se parte da Europa e o Estados Unidos são ricos é em função de uma política imperialista e exploradora de países ditos subdesenvolvidos.
Lutamos, tentamos nos organizar, coloquei hoje fotos que registrei uma manifestação de nossos companheiros em frente ao Palácio do Planalto em 2012. O caminho é longo...
Que suas memórias e as nossas formem uma união efetiva entre nossos povos em lados diferentes do Atlântico, mas irmãos em luta e coração. Grande abraço amiga, companheira de luta, minha irmã.

Hugo Ferreira Zambukaki

Cartas para minha irmã angolana

Histórias que você conta são significativas Judith Luacute. Tenho um momento que ao relembrar as lutas, numa reunião as emoções embargavam minha fala e marejavam meus olhos. Josi companheira e esposa registrou em vídeo minha fala emocionada
Momentos não escritos em livros, mas infelizmente vivenciados nós em nossas vidas, e esses nossos depoimentos deveriam ser registrados para não serem esquecidos. Por serem nos magoarem ferem nossos sentimentos.
A Universidade de São Paulo, surgiu de uma derrota militar do estado de São Paulo perante a Ditadura Vargas. A Revolução de 1932 teve em suas fileiras inúmeros negros e índios, não só em formados de voluntários, mas nos quadros do Exército Brasileiro que lutaram contra a Ditadura.
O negro brasileiro escravizado, buscava uma forma recuperar sua liberdade e restaurar sua cidadania. O Exército desde a Guerra do Paraguai (1864/1870) contou com uma maioria de soldados negros. Participar do Exército era uma forma dos negros e pardos livres se inserirem na sociedade brasileira. A Escola Militar de Resende RJ formou oficiais militares vindos das camadas populares (década de 20 e meados de 30). O subcomandante militar de São Paulo era o coronel Palimércio de Resende negro.

 Coronel Palimercio Coronel Palimércio de Resende subcomandante da Revolução de 1932 em São Paulo

Meu pai tenente Ferreira foi dos tenentes revolucionários que lutaram contra a Ditadura, teve sua perna metralhada e só não ocorreu a amputação porque fugiu do hospital no dia marcado. Sobreviveu e nasci em 1946.

Tenente Ferreira e companheiros de farda (185x260) (276x389)

Tenente Ferreira (José Ferreira da Silva meu pai) ao centro assinalado com companheiros de farda “tenentistas” .

Perdida a Revolução de 32 contra a Ditadura, a elite criou um projeto de formar lideranças da burguesia paulista, surgia aí a USP a Universidade de São Paulo.
Se na Revolução de 1932 havia espaço para as classes populares (negros, índios e pobres) lutarem, não havia espaço na Universidade criada. Daí a surpresa do segurança negro em barrar sua entrada. Quem lutou e derramou o sangue por São Paulo é barrado em entrar na USP pela profunda desigualdade social que existe no Brasil.
Posso dizer que a situação piorou desde a sua vinda, tive contato com jovens estudantes angolanos, amigos de Zulmira Cardoso a jovem morta em 2012 por racistas brasileiros no Brás, e um deles me dizia: “-Conheci o que era o racismo brasileiro, quando desci no Aeroporto. ”

Zulmira bata
Há uns seis meses estudantes angolanos da USP, foram espancados pela polícia, quando um deles teve seu celular roubado e com ajuda dos amigos tentou recuperar dos ladrões. Na briga ocorrida chamaram a polícia, que chegando bateu em quem era mais escuro (no caso os estudantes angolanos).
Esses fatos não são locais, é uma questão mundial. Não só dos africanos da Diáspora causada pela escravização, mas hoje pela imigração. A África continua sendo espoliada e explorada, intervenções militares dos países ditos civilizados destruíram estados nacionais instalando o caos forçando a saída desses países. Se parte da Europa e o Estados Unidos são ricos é em função de uma política imperialista e exploradora de países ditos subdesenvolvidos.
Lutamos, tentamos nos organizar, coloquei hoje fotos que registrei uma manifestação de nossos companheiros em frente ao Palácio do Planalto em 2012. O caminho é longo...
Que suas memórias e as nossas formem uma união efetiva entre nossos povos em lados diferentes do Atlântico, mas irmãos em luta e coração. Grande abraço amiga, companheira de luta, minha irmã.

Hugo Ferreira Zambukaki